Domingo, 23 de Outubro de 2011

Intervalo

Nos próximos tempos este será o texto que irá aparecer no topo deste blog ..... vou deixar de publicar textos durante uns tempos ..... podem ser dias, podem ser meses ..... sem data ou objectivo ..... um intervalo.

Uma amiga dizia-me recentemente que o meu blog era uma seca ..... apenas falava de política. É verdade. Era o tema mais fácil ..... preocupa-me e faz-me reflectir ..... protege-me ..... dessa forma não tenho de escrever sobre o que também me preocupa e não quero expor ao mundo ..... a política estava a ser um fuga.

Talvez o passar daquele último marco me tenha marcado muito mais do que eu contava .....

Terça-feira, 11 de Outubro de 2011

De um dia para o outro

Nada na vida é certo, nem pode ser dado como certo. Não sabendo o que o futuro nos reserva, claramente não podemos deixar o viver para o “um dia .....”. A verdade é que esse dia pode nunca chegar ou, quando chega, olhamos para trás e “choramos” o que abdicamos até que ele chegasse. O que hoje é verdade, amanhã será ou não.

No mundo do futebol, a variabilidade da realidade é levada ao extremo ..... o que hoje é verdade, mais logo ao final do dia pode muito bem não ser. Nos negócios e na política estamos quase na mesma. O Dexia até há 3 meses era visto como um dos mais sólidos, tendo passado nos testes de stress com distinção. Hoje foi nacionalizado.

Para além do Dexia, podemos falar igualmente na Madeira ..... até há 1 mês atrás, tudo estava bem e as obras do Alberto eram uma referência de bem gerir. E de um momento para o outro, já vamos em 6,3 mil milhões de euros ..... mais ou menos empresa municipal ..... no caso do banco, ao menos os governos ficam com os activos.

Em termos de Portugal em si e como um todo, até há relativamente pouco tempo, os tempos avizinhavam-se difíceis mas as perspectivas eram positivas ..... hoje substituímos os muito odiados PEC por aumentos mensais de impostos sem ruído ..... mais gravosos mas aparentemente de maior aceitação popular.

Uma reportagem hoje de um jornal apresentava os factos de uma forma muito clara ..... a nossa despesa pública é 5 vezes superior aos impostos cobrados ..... não creio que existam assim tantas EDP’s para vender em tempo de crise para cobrir este buraco .....

Qual a sustentabilidade de Portugal daqui a digamos ..... 10 anos?

Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011

Vira o disco e toca o mesmo

Quem tenha ouvido o discurso hoje do Cavaco Silva certamente achará que aquilo é o Presidente da Republica Portuguesa ..... mas só quem o tenha ouvido pela primeira vez na vida.

Infelizmente ..... e assim o digo pois também eu votei nele nas ultimas eleições ..... tornou-se numa figura patética. Perdeu-se nas guerras político-partidárias que tanto gosta e esqueceu-se do que é ser Presidente da Republica. Quando deve falar, cala-se ..... quando devia estar calado, fala ao lado do que interessa ..... e é de uma incapacidade de mobilizar o país atroz.

Sendo a sua principal responsabilidade o ser o garante da democracia ..... e ser o agente de motivação e mudança do país, pouco mais tem feito que receber o seu vencimento e repetir o que vem dizendo, achando que o que diz é ouvido.

O seu discurso hoje foi uma repetição do que diz há muito ..... “acabaram os tempos de ilusões” ..... “provavelmente os maiores sacrifícios que esta geração conheceu” ..... “os portugueses vivem tempos de incerteza” ..... qual a novidade? ..... não estamos assim há já quase 2 anos?

Onde estava ele quando o novo governo desatou a fazer o que ele criticou o anterior e que disse que os portugueses já não aguentavam mais esforços? ..... onde estava ele quando deveria ter criticado o Alberto João e o seu discurso actual? ..... onde está ele quando o governo continua a dizer que vai fazer cortes substanciais na despesa pública e nada apresenta? ..... onde?

Se é para ir a comemorações e repetir o discurso que já fez, é inútil, desadequado, irrelevante, inconsequente e um desperdício da função que deveria representar ..... quando podemos eleger o próximo?

Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011

A variabilidade da urgência

Na teoria, o critério de urgência deve ser aplicado apenas quando surge algo repentino, não planeado e que tem de ser resolvido o mais rapidamente possível. Podem haver várias variantes da definição, mas na essência é isto.

Quando estamos num ambiente empresarial, o conceito de urgência varia um pouco. Torna-se maleável. Em primeira instância, o que acontece muitas vezes é que os temas ficam durante muito tempo parados algures e em alguém, quando saem dessa letargia, muitas vezes os assuntos deixam de ter carácter normal para passar a urgente. Estes são a maioria e deviam ser minimizados.

A outra forma de variar a urgência de um assunto é também uma prática infelizmente comum. Todas as empresas têm as suas “quintas” e os seus “barões”, fazendo com que os assuntos aquando da responsabilidade de outros, sejam apresentados como urgentes. Mediante a entidade percepcionada como responsável, assim será a catalogação da urgência do assunto.

O critério do que é urgente transcende portanto muitas vezes o simples critério básico do que é uma urgência. Varia em critérios que transcendem o eficiente.

Domingo, 25 de Setembro de 2011

Cheque em branco

Uma das medidas em estudo pelo actual governo é a redução da TSU. Sem querer entrar em memórias sobre a posição do Passos Coelho quando o governo era liderado pelo Sócrates, assusta-me esta questão estar a ser tratada de forma demasiado leviana ..... como várias até ao momento.

O anterior governo também ele decretou uma medida que na teoria era óptima, mas na prática em Portugal, ninguém acreditava que resultasse ..... e não resultou. A descida do IVA nos ginásios. Obviamente que essa redução não se repercutiu nos clientes, uma vez que a tentação dos ginásios em embolsar dinheiro era imensa. Lucro fácil e directo, com justificação de decreto estatal.

Dizer que baixar a TSU fomenta que os empresários criem emprego por mero decreto é estúpido demais para ser verdade. Neste momento não há empresário que apesar de apoiar as diversas acções, não afirme estar quase na falência ..... e que os custos disto e daquilo são incomportáveis ..... que estão quase a fechar as portas. Baixar apenas a TSU é apenas dizer que tal como aconteceu nos ginásios, o estado vai-lhe dar dinheiro fácil. Sem incentivo ou obrigatoriedade de reinvestir esses montantes, o seu destino é mais que certo.

Concordo inteiramente com uma medida dessas desde que devidamente escudada, ou seja, a baixa da TSU estaria indexada á confirmação de alguns factos, devidamente balizados no tempo. Por exemplo, a criação de uma determinada % de postos de trabalho, expurgados dos postos que forem encerrados, assim como a manutenção desses mesmos postos. Alguma medida bem pensada que force ao investimento desse valor naquilo para o qual foi pensado.

Infelizmente temos de reconhecer que na sociedade actual, com especial enfoque em Portugal, a consciência social é muito baixa. Que se pensa mais no próprio bolso que na sociedade em que estamos inseridos ou na situação real do País.

Concordo com a redução da TSU, desde que não traduza num aumento de impostos que todos pagamos ..... chega de cheques em branco.

Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011

Uma praga actual

Recordo-me dos meus tempos de miúdo há muito tempo atrás ..... á realidade de hoje, quase parece a pré-história. Podíamos andar sozinhos na rua enquanto os nossos pais estavam a trabalhar. Não havia telemóveis nem outras modernices.

O sistema de contacto era dizermos para onde íamos e quando voltávamos, deixando recados em pontos estratégicos se necessário. Rudimentar mas na maior parte das vezes funcionava. Quando precisávamos algo de alguém, falávamos com essa pessoa directamente.

O que antigamente era considerado falta de respeito se atendêssemos um telefonema ou similar durante uma conversa, é hoje muitas vezes justa causa de despedimento por não interromper. Poucas são as reuniões que tenho assistido que não são interrompidas por alguém atender um telefone ou receber/enviar mensagens no BlackBerry.

E se sistematicamente respeitamos esse princípio de respeito que nos foi incutido em criança, começamos a ficar com a estúpida conotação de não atender telefonemas ..... um crime á luz da gestão moderna. E mais cedo ou mais tarde, claudicamos ..... é a nossa sobrevivência profissional que assim o exige ..... afastamo-nos dos princípios da sociedade de respeito e aderimos á sociedade moderna ..... á sociedade do .

Outro paradoxo da comunicação é outra ferramenta moderna ..... o mail. Hoje as pessoas enviam mails que passaram a ser imposições ..... nas empresas de hoje envia-se mails e considera-se que o problema está resolvido, que o macaco passou. E como o tempo de entrega desse maravilhoso monologo é muito rápido, o emissor assume que o receptor logo o recebe e logo lhe dará seguimento ..... que não é apenas mais um nos 50 ou 300 mails diários.

Hoje nas empresa modernas e no mundo de alta velocidade, dos objectivos e dos EBITDA agressivos, das taxas de crescimento orçamentadas a dois dígitos, paradoxalmente a comunicação está a perder-se. Deixámos de comunicar ..... debitamos informação e problemas ..... passamos “macacos”.

Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011

O último marco

Imagine-se que em determinada altura decidimos fazer uma viagem. Pegamos no mapa e desenhamos o destino, assim como alguns pontos estratégicos em que queremos passar. Preparamos o barco e arrancamos viagem ..... e o passeio é maravilhoso ..... tudo corre na perfeição ..... melhor que o argumento de um qualquer filme.

Mas vindo do nada aparece uma tempestade ..... e com muito custo conseguimos passar mas com danos evidentes no barco ..... e mais á frente aparece uma nova tempestade, que nos tira completamente do destino que ansiávamos ..... completamente fora de rota .... não mais é possível chegar ao destino sonhado no início da viagem. A viagem termina aí.

De todo o mapa, rotas e sonhos, nada mais sobra que um marco algures mais á frente no horizonte visível. E dia para dia, esse marco fica mais perto. Todo o percurso sonhado que já não existe encontra-se reunido nesse último marco ..... e cada dia fica mais perto ..... e mais perto ..... até que chegamos a ele ..... o último marco ..... atingido e falhado por 2.400 kms.

E todos os sonhos e anseios passados materializam-se nesse pequeno ponto. O último marco foi atingido.

E passado esse ponto, nada mais existe que um imenso oceano ..... uma longa linha no horizonte ..... apenas o vazio.