terça-feira, 8 de outubro de 2013

Dinheiro não é tudo



Às vezes nas organizações a competência não é sinónimo de muito, para além de uma mera satisfação pessoal. Outras por mais competência que se tenha, o subir na hierarquia não é aconselhável para não dar azo ao ditado “perde-se um bom trabalhador e ganha-se um mau chefe”. Neste processo haverá sempre quem se sente injustiçado e quem se sente reconhecido. Uma organização é será sempre assim.
 
Esta semana falei com um ex-colega que foi friamente preterido por uma questão de amizades internas, ou se quisermos dizer de uma forma mais direta, de promoção de amigos em detrimento de qualquer outro fator de decisão, e, coincidentemente, a minha mãe colocava-me uma questão em tudo semelhante. E pensei em mim e no último ano que tive do ponto de vista profissional.
 
A questão resume-se de uma forma simples ….. terá valido a troca profissional dado que neste último ano trabalhei muito, mas mesmo muito mais? ….. se na minha mente a resposta era obvia e imediata, à pergunta da minha mãe foi o meu filhão a responder ….. Claro avó, o meu pai mesmo cansado tem muito mais tempo e paciência para mim. Estamos muito melhor! ….. dinheiro algum paga este comentário ….. apeteceu-me parar o carro e dar-lhe um beijo ….. depois de limpar uma lágrima no canto do olho, naturalmente.
 
Antes da mudança, tal como acontece hoje em dia a esse ex-colega, o levantar para trabalhar era já um sacrifício dantesco, apenas possível de conseguir por uma obrigação monetária. Aqui contradiz-se o título, ou seja, o dinheiro pode não ser tudo mas é fundamental, e a sua falta é um problema e uma tragédia ….. e naturalmente a paciência para a família vai ficando cada vez menor ….. e todos “pagam” em casa pelo que acontece fora de casa ….. mesmo com um esforço grande de bloqueio destes “infernos”, é sempre impossível não haver repercussões das nossas frustrações profissionais a nível pessoal ….. somos humanos.
 
Quando me surgiu uma boa oportunidade, fiz exatamente o que sugeri a esse ex-colega ….. mergulhei de cabeça. Sem medo da mudança ….. de poder vir a falhar, até porque acredito nas minhas capacidades ….. sem medo de trocar o certo pelo incerto ….. mesmo perdendo regalias e tempo de descanso, num desafio que me iria obrigar a trabalhar mais, não hesitei um segundo que fosse ….. fui!
 
O futuro será o que for, mas a verdade é que neste último ano ganhei anos de vida ….. e algo que o dinheiro não compra ….. o sorriso de um filho e a cumplicidade que apenas a dedicação de uma relação permite obter ….. ganhei ….. se perdi dinheiro e horas de sono? ….. irrelevante face aos ganhos.
 
Se a semana passada dizia que ganhei uma vida nova, especialmente no que ao meu filhão dizia respeito, e achava que era sentido e que não era “fita”, aquela afirmação dele foi perentória ….. foi das melhores decisões que já tomei nos últimos tempos ….. o futuro a Deus pertence, mas este último ano de vida e relação com o meu filhão já ninguém me tira.
 
Desde sempre me lembro de dizer que infelizmente a generalidade das pessoas só dá valor ao que tem quando o perde ….. se bem que para alguns a perda é consciente e infelizmente desejada ….. felizmente acho que sempre valorizei o que tinha e enquanto tinha ….. quero acreditar que sim ….. aquele comentário do filhão reforça a minha ideia que sim …..
 

Limpar a cabeça


Muitas vezes quando estamos demasiado mergulhados num problema, uma pequena pausa faz maravilhas pois permite-nos libertar momentaneamente a mente e voltar ao problema de uma outra forma. Uns param para fumar, outros para ver televisão, outros para um café e outros ainda para conversar sobre esse tema ou outro qualquer com outra ou outras pessoas. O fundamental é o mesmo, ou seja, desviar a atenção e o pensamento viciado e tentar ganhar uma nova visão ….. pode ser melhor ou pior, mas pelo menos certamente terá o condão de ser diferente.

Mas isto aplica-se tanto a um problema como a uma série de situações na nossa vida. Por mais que consigamos aguentar um ritmo intenso, seja de trabalho ou de situações pessoais, a verdade é que a mente vai ficando viciada numa série de pressupostos, dificuldades ou raciocínios, o que não permite chegar a conclusões ou afirmações muito diferentes. É como fazer um bolo sempre com os mesmo ingredientes ….. pode ficar ligeiramente diferente, mas nunca totalmente diferente.

Existe um ditado adaptável que é “dar um passo atrás para depois dar dois em frente”, e muitas vezes é isso mesmo. Podemos perder um tempo que achamos precioso para limpar a cabeça ou ganhar uma nova visão, porém, grande parte das vezes isso permite-nos depois avançar mais depressa ou, na generalidade das vezes, melhor. Não é sempre assim, é certo, mas acredito que seja maioritariamente assim.

E se assim é, porque não o fazemos mais vezes? ….. acho que em determinadas alturas estamos tão embrulhados que precisamos de esgotar a nossa capacidade para o perceber.

Meditei muito em escrever este post, uma vez que na sua essência dizia o mesmo que o “Uma pausa, apenas por dizer que este fim-de-semana fiz o mesmo mas em família ….. apenas uma ideia ….. para quem estiver demasiado “embrulhado”, meditar se não precisa de uma pausa ….. seja como a fiz em 2009, seja como a fiz agora em 2013 ….. uma pausa.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

O que sentimos, pensamos e dizemos

 
Apesar de dizermos que a maioria das nossas ações são pensadas, alguns dirão mesmo ponderadas, a verdade é que a emoção controla as nossas ações. Por mais cerebral que seja o nosso raciocínio, o que nós sentimos no fundo estará sempre a condicionar-nos. Baliza o que é a nossa razão, ou pelo menos, os parâmetros pelos quais tomamos decisões.
 
Quantas vezes damos por nós com um sentimento específico em relação a uma questão, em consciência sabemos que não queremos decidir com base na emoção e depois, acabamos por dizer outra coisa completamente diferente?

domingo, 29 de setembro de 2013

De volta á escrita publicada


E depois de muito tempo em que a escrita foi um ato pessoal, com muitos textos a serem produzidos mas a residirem apenas no meu pc, ou pura e simplesmente serem eliminados após a sua construção, eis que este espaço voltará a ser atualizado com alguma frequência. Os textos que vou produzindo irão conhecer a luz do dia com uma maior incidência que até ao momento.
 
Este espaço que foi criado com um pretexto muito claro e definido, foi sofrendo algumas alterações ao longo dos tempos, ao ponto de hoje em dia não ter uma “linha editorial” claramente definida. A ideia para além da essência do Blog era isso mesmo, ou seja, publicar Notas e Pensamentos que me iam ocorrendo ou apenas escrever em voz alta o que me ia na alma sobre os mais diversos temas.
 
Em termos da escrita em si, já escrevi mais sobre política, ao ponto de em determinado momento ser o tema principal e maioritário, porém, a filha de uma amiga referiu isso mesmo, que apenas escrevia sobre política e optei por pouco ou nada escrever. Já me foquei mais sobre a sociedade mas fico sempre com algum receio de alguém de vir perguntar quem sou para essas avaliações, uma vez que não sou sociólogo ou psicólogo.
 
Em relação a este último parágrafo, cheguei mesmo a solicitar uma apreciação sobre a minha escrita a duas pessoas que aprecio o que escrevem e a forma como escrevem, mais concretamente a Joana Amaral Dias e o Alberto Gonçalves, porém, nunca obtive qualquer resposta às minhas solicitações. Quero acreditar que foi por serem figuras muito solicitadas, não por se acharem superiores ou o comentário ser muito depreciativo ….. em caso de dúvida, acreditamos sempre no que nos é mais favorável. É a vida.
 
No momento profissional que me encontro, onde as 40 horas semanais já ficaram para trás há muito tempo, o tempo não será muito mas este será um tempo de qualidade. Já assim o é há muito tempo mas a escrita tem acontecido, pelo que apenas se trata de voltar a publicar, o que não tem acontecido.
 
Alguns temas ou posições pessoais serão suprimidos na versão final dos textos, em que este não é exceção ….. retirei 2 parágrafos muito pessoais ….. mas a generalidade deverá voltar a ser publicado …..
 
Como diria uma escreva famosa nos filmes ….. I’m back! ….. again.

Comunicação moderna

É já um “lugar comum” dizer que as pessoas estão cada vez mais individualistas e que deixaram de falar umas com as outras. O tempo em que as famílias se sentavam à mesa e na sala á conversa, foi desaparecendo. Primeiro veio o rádio, depois acentuou-se com a televisão, não só pelo aparelho em si mas pela proliferação de aparelhos (1 por pessoa na mesma casa), estando no seu expoente máximo momentaneamente com os mails, sms e facebooks.
 
A facilidade com que se envia uma mensagem sem dar a cara, seja por vergonha, falta de coragem, comprometimento ou simples condição do momento é enorme. O medo de dizer o que se quer e ouvir o que não se quer é grande e, as novas tecnologias vieram proporcionar a escapatória perfeita. A figura de amigos e mesmo casais à mesa de um café ou restaurante a enviar mensagens, cada um concentrado no seu aparelho, é um cenário cada vez mais banal.
 
Mas a quebra de comunicação não se fica apenas a nível pessoal. E isso é porque não estamos a falar de um evento apenas, mais sim resultado de um enraizamento de uma cultura. E o que acontece ao nível pessoal, é em tudo similar ao nível profissional, o que é normal pois são as mesmas pessoas.
 
Em termos profissionais, os assuntos deixaram de ser tratados logo ou o mais rapidamente possível e passaram a ser jogos de macacos, ou seja, envia-se um mail para alguém e acha-se que o assunto está encaminhado ….. que a nossa responsabilidade passou para quem o recebe. Quantas vezes nos acontece nos tempos que correm de perguntar a alguém como está determinado tema e o resultado é ….. “já enviei um mail”.
 
É inegável que as novas tecnologias ajudam mais do que prejudicam, mas o uso e abuso do mail está a tornar-se prejudicial. Alguns assuntos que podem ser explicados e tratados nada mais são que um item numa lista de itens. E ao contrário do passado, existe uma expectativa que as pessoas estão sempre acessíveis via telefone e mail, mas isso pode não ser verdade ….. e gera-se um gap entre a perceção de quem necessita de algo tratado e de quem tem de tratar.
 
Cada vez comunicamos menos ….. existe muito mais informação, muito mais troca de informação mas muito menos comunicação. Infelizmente, diga-se.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Apenas um momento

Das boas memórias que retenho da minha infância, muitas estão relacionadas com a minha avó materna. A minha avó Paulina. Ao escrever estas linhas tomo a consciência que nada falei dela até ao momento neste blog. Talvez seja por querer reter essas boas lembranças apenas para mim ….. talvez para não me expor demasiado, se é que isso é possível depois de tudo o que já aqui escrevi ou o propósito inicial deste blog ….. enfim ….. adiante ….. da minha infância retenho centenas de histórias contadas, algumas esquecidas no subconsciente até um determinado momento ou acontecimento ….. este é um desses momentos ….. esta é uma dessas histórias.

A história que vou contar é sobre um frade Franciscano, se calhar até com mais impacto pelo Papa que temos ….. mas é apenas uma história que acontecimentos recentes me trouxeram à memória. Como não me lembro do nome do frade, apenas me irei referir a ele como frade ….. o tempo apaga várias coisas, nomeadamente alguns pormenores …..

“Havia um Frade que era reconhecido pela sua bondade. Não havia naqueles tempos ninguém que fosse reconhecidamente mais humanitário na terra. Todos os mendigos das várias aldeias em redor tinham roupa arranjada por eles, comiam das graças que ele conseguia e não havia nada que tivesse ao alcance dele que ele não fizesse me prol dos outros ….. um episódio que se passou mostrava a abnegação que tinha. Certo dia, encontrando um moribundo no vão de uma escada para os seus últimos momentos, o Frade decidiu dar-lhe todo o conforto que poderia proporcionar, perguntando-lhe mesmo se tinha algum último desejo que gostasse de ver cumprido. O moribundo que presumo que tenha tido uma vida faustosa, apenas pediu ao frade um último pedaço de presunto ….. apenas isso.

O Frade percorreu a vila de porta em porta pedindo ajuda para cumprir esse último desejo, não tendo porém encontrado ninguém que o pudesse ou quisesse satisfazer. Ao voltar para junto do moribundo, triste e desolado, passou por um quintal onde estava uma pequena vara de porcos. Agindo mais rápido que o pensamento, sacou da sua faca e cortou a perna ao primeiro porco que apanhou. Dada a sua humanidade, não o matou, apenas extraiu o que precisava, a sua perna. E correu a toda a velocidade para junto do moribundo, rezando para ainda o encontrar nesta vida. E conseguiu. Ao servir aquele pequeno pedaço de carne ao moribundo, recebeu um singelo obrigado e nesse mesmo instante, aquela alma partiu com um sorriso nos lábios.

Como na vida nada é eterno, eventualmente acabou por chegar o dia em que o Frade também ele recebeu o chamamento divino. E também ele partiu com um sorriso nos lábios. Chegado às portas de S. Pedro, ele sabia que as suas ações terrestres seriam julgadas, mas ele tinha plena consciência de todo o bem que havia feito. E foi com naturalidade que na balança entre o bem e o mal, viu os pratos penderem para o lado do bem. Ele eram roupas, comida, bebida, valor, etc, etc, etc. Passado algum tempo e uma enorme pilha, a balança tocava com o prato do bem completamente no chão, o que o deixou com um enorme sorriso, satisfeito por todo o bem que havia praticado, porém, sem que nada o pudesse prever, o outro prato começou a ganhar peso ….. e peso ….. e peso ….. até que ambos ficaram completamente equilibrados. O Frade estava em choque. Que mal poderia ele ter praticado para se sobrepor a toda uma vida de bem?

Quando ambos os pratos da balança pararam de se mexer, o Frade olhou para o prato do mal ….. e toda a sua expressão mudou ….. no fundo do prato estava apenas uma única coisa ….. um pequeno bacaro que se esvaia numa poça de sangue e a quem tinha sido cortada uma perna ….. e o veredicto foi breve e bruto ….. as portas do céu estavam vedadas ao Frade.”

Às vezes todo o bem que fazemos é consumido por um momento de desnorte ….. o juízo da balança é medido não pelo tamanho de cada um dos pratos, mas pelos olhos de quem os avalia ….. sejam esses olhos os nossos ou de outros.

PS – Tal como o nome do Frade, vários pequenos pormenores da história são já invenção minha para completar eventuais lacunas de memória, mas o sentido da história mantém-se inalterado. É o que é.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Procura-se “Mimo”


Há muito tempo atrás, uma amiga enviou-me um texto que publiquei como “Procura-seAmante. Reli hoje este texto e continuo a concordar inteiramente com ele ….. mas acrescento um pequeno texto gémeo …..  “Precisa-se Mimo”.

Por mais Adamastor que sejamos, haverá sempre momentos de fraqueza ou em que vacilamos nas nossas convicções. No meio da tormenta, quando o cansaço é grande, todos procuramos ter um porto seguro para descansar um pouco, ou conseguir fugir à borrasca.  Por mais forte que sejamos, dúvidas todos teremos e é nessa altura que precisamos de mimo. Sem pieguices ou lamechice,  um conforto é muitas vezes apenas aquilo que precisamos.

Um mimo é muitas vezes equivalente ao efeito de um desfibrilador ….. é a recarga que precisamos ….. apenas isso ….. é o que é!