sábado, 8 de março de 2014

Dia da Mulher

 
Parabéns e desculpas.
 
Parabéns pelo Dia da Mulher, e todo o que ele ainda representa. Desculpas pelo Dia da Mulher por considerar que é acima de tudo uma data comercial. Quando tanto se defende a igualdade dos géneros, a existência de um dia destes não se justifica, porém, quando recentemente foi anunciado o número de mulheres que são ainda vítimas de violência doméstica e sabemos que as mutações genitais são ainda práticas existentes, teremos de aceitar que talvez ainda se justifique.
 
Tenho tido o privilégio de conviver com mulheres fabulosas, algumas delas numa categoria especial ….. giras e inteligentes ….. e desculpem se é uma classificação machista. Tenho sido um privilegiado. A todas os meus parabéns pelo seu dia, sem qualquer conotação a tudo o que escrevi ou que é dito ….. apenas parabéns pelo seu dia. Como tenho uma princesa cá em casa, os parabéns ao género feminino em geral.
 
Este ano em particular estou mais sensível à importância da mulher, não por mim mas sim pelo que vejo no meu filhão ….. privado da presença da mulher fabulosa que foi a mãe, noto cada vez mais o que a falta de uma presença feminina de forma assídua acarreta. Os pedidos que ele faz e que infelizmente não os posso proporcionar. Este fim-de-semana fomos ao Algarve tratar das férias (nossas, dele e de outros) e isso foi notório. Apesar do muito que nos divertimos os 2 ….. ou os 4 porque os irmãos peludos também foram ….. notei claramente isso. Felizmente tivemos junto de amigos, maioritariamente mulheres, mas senti muito isso nele ….. talvez seja da data que se aproxima, talvez por algumas outras razões que não posso escrever, talvez ….. noto claramente a importância que um convívio regular ….. mesmo quando era pouco frequente ….. se reflete nele. É a vida.
 
Obrigado em especial ás minhas vizinhas com quem ele convive cada vez mais, por lhe proporcionarem o que infelizmente lhe foi retirado e que não irei substituir. Felizmente ele tem isso ….. parca consolação, é um facto, mas sempre é melhor que nada. Obrigado meninas!
 
Como no último post já fiz referência ao texto de Paulo Coelho, que é uma ode à mulher, não o irei repetir apesar de me apetecer. Acho que o melhor que consigo após estas linhas são mesmo apenas estas linhas, e tudo o que por detrás do que está escrito se depreende.
 
Parabéns e desculpas.
 


segunda-feira, 3 de março de 2014

Se calhar não é somente uma cara gira


Um destes dias fui almoçar com uma pessoa amiga e, quando estávamos no restaurante entrou uma daquelas mulheres ….. daquelas de tudo parar à sua volta quando ela passa. Os homens ficam com água na boca, e as mulheres ficam vermelhas de inveja. Daquelas mulheres que fazem desejar que as que se encontram acompanhadas, rezem para que o seu companheiro não as vejam. Não era muito bonita, mas tinha um corpo escultural, muito bem tonificado e uma indumentária de realçar todas aquelas magnificas curvas. Em palavras de homem, uma brasa.

Naturalmente achei que com aquela beleza toda certamente estaria acompanhada, o que aconteceu não ser verdade. Dei por mim a rir por ter assumido esse lugar comum ….. uma mulher gira nunca está sozinha. Não na vida, e certamente não num restaurante. Aguardei para ver quem seria o modelo ou velho rico que se sentaria na mesa ….. outro lugar comum … e mais me ri de mim mesmo por todas essas suposições tradicionais e lugares comuns. Está provado, sou igual ao resto da humanidade! LOL.
 
Apesar de continuar no meu almoço, em conversa muito agradável, não me contive de tempos a tempos observar semelhante beldade ….. discretamente, é certo, mas sempre fui dando uma troca de olhares. E na minha imaginação fui pensando o que poderia levar uma mulher tão bonita a estar sozinha, olhando à sua volta ….. incluindo para mim diversas vezes …… como se pedisse para que alguém fosse falar com ela ….. para não comer sozinha ….. dizendo que a sua beleza não era uma redoma de vidro com alarme ….. pelo menos na minha imaginação, era isso que ela dizia.
 
Pensei na conversa que tinha tido recentemente com um amigo, exatamente sobre a vergonha ou coragem de falar com desconhecidas ….. numa conversa entre homens naturalmente falávamos dessa forma ….. e pensei várias vezes para comigo ….. será que tinha coragem de pura e simplesmente me levantar e ir perguntar “parece sozinha ….. posso lhe fazer companhia a almoçar?” ….. não naquele dia porque estava a almoçar acompanhado, mas noutro qualquer dia em que tivesse sozinho ….. será que era capaz? No meu caso a dúvida não era se seria ou não capaz de o fazer, a dúvida era se correria eu o risco de ouvir um não.
 
Fiquei vários dias a meditar no assunto ….. de passarmos a fase do desconhecido ou não …… novamente o mesmo tema dos meus últimos posts, de ultrapassar os nossos medos e receios, e se calhar, ficarmos surpresos com o que encontramos. Isto vendo pela positiva, que o resto não interessa.
 
Naturalmente não fui ter com a rapariga, até por estar acompanhado, mas os pensamentos sobre falar com alguém desconhecido ….. neste caso de uma beleza de outro campeonato ….. não saíam da minha cabeça. Atenção que com isto não me estou a menosprezar, pois vivi no passado momentos muito bons com mulheres fora de série, desse mesmo campeonato ….. num paraíso até à poucos anos e até muito recentemente, tinha o prazer de partilhar bons momentos com outra mulher dessas, lindíssima e fabulosa, mas a vida é mesmo assim ….. mas não consigo deixar de no meu subconsciente associar a outro campeonato …..
 
A semana passada não resisti a um impulso …… cruzei-me com uma colega que é lindíssima, uma autêntica boneca, sentada numa mesa a escrever no computador e perguntei se me podia sentar ….. tinha 5 minutos enquanto esperava que me fizessem a conta, mas não resisti. E os meus 5 minutos rapidamente passaram a muitos mais, pois além de muito bonita ela é muito simpática. Falámos durante algum tempo sobre dois ou três assuntos, numa conversa muito agradável, mas uma reunião já agendada não me permitia demorar mais tempo. Cordialmente me despedi e cada um seguiu a sua vida.
 
Saí com um sorriso nos lábios, não por imaginar algo mais no futuro, como certamente está a passar na cabeça do leitor, mas pela situação em si, recordando-me da brasa do outro restaurante e da situação em si. Uma cara gira não precisa de ser apenas uma cara gira.
 
Estarão as duas histórias interligadas? Quem sabe …..


domingo, 2 de março de 2014

Brandos bananas ..... perdão, costumes

 
Que as comissões de inquérito dos deputados da Assembleia da República eram uma fantochada, todos sabíamos. Que serviam como pretensa arma de arremesso político, também. Que não têm consequência nenhuma, excepto enaltecer o ego dos participantes, também. Esta semana a presidente da PGR veio oficialmente confirmar tudo isso. E se este entendimento é oficial, então deve estar tudo bem ….. se calhar é mesmo suposto ser assim.
 
Um ministro foi a uma comissão de inquérito e mentiu deliberadamente. Todos os presentes sabiam, mesmo antes dele abrir a boca. Depois disso, os partidos da maioria enalteceram o homem por qualquer coisa irrelevante ….. nem me recordo o que foi, mas também isso era mesmo irrelevante ….. e a oposição atacou a mentira, como se fossem virgens arrependidas e não fossem capazes do mesmo ….. ou não o tivessem já feito noutras ocasiões. Cada um fez o seu teatrinho. Masturbação mental para os presentes que serve para se sentirem que estão a fazer algo por alguma coisa …… tipo eu quando apanho as fezes do meus cães no seu passeio matinal, achar que estou a construir um mundo mais limpo ….. no essencial e na substância é o mesmo.
 
A presidente da PGR veio reconhecer que o ministro mentiu, mas como é amigo não há problema porque não alterou nada ….. o que é normal nas peças de teatro. Quando acaba aquela irá mais tarde começar outra e o mundo continua a girar. Fez-me lembrar a sentença do Parque Mayer que não houve corrupção porque a pessoa que estava a ser corrompida não tinha poder. E depois achamos estranho porque os estrangeiros não investem mais em Portugal ….. os honestos, claro.
 
Somos mesmo um país diferente. Na Alemanha há quem cumpra pena por se ter provado que corrompeu políticos em Portugal e na Grécia. Na Grécia um ex-ministro cumpre pena de prisão por ter sido corrompido. Em Portugal não só nada acontece, como o ministro da altura é vice-presidente do governo, e a sua saída irrevogável do governo que nos custou 2.000 milhões de euros afinal era brincadeira. Não temos corruptos, por mais que os alemães se esforcem. E nada acontece ….. duas ou três peças nas notícias e alguém garante que a atenção muda e nada mais é publicado ou referido. Por acaso o Relvas voltou a um cargo de relevo, mas isso também certamente é um acaso.
 
Volto a escrever o mesmo ….. tenho pena que a comunicação social em Portugal cada vez mais cumpra menos o seu papel de isenção ….. algo que não poderemos certamente dissociar da crise e da tentativa de manterem o seu posto de trabalho ….. tornam-se carneiros, é um facto, mas carneiros com erva para comer ….. é pena que assim seja.
 
Sempre dizemos que somos um país de brandos costumes, mas cada vez mais o que fomos extravasa os brandos costumes, estamos mesmos transformados em bananas.


sábado, 22 de fevereiro de 2014

“Havias de me ver antes da gravidade”

 
Ouvi esta semana esta frase de uma amiga. Depois de a dizer, elaborou-a um pouco mais, referindo-me a sua beleza de outros tempos, desvalorizando o seu eu atual, utilizando o lugar comum das alterações do seu corpo desde jovem, a bela da lei da gravidade. Lembrei-me logo da descrição magistral que o Paulo Coelho fez das mulheres.
 
Realcei a estupidez do seu comentário, dado que é uma mulher muito bonita, com um corpo de gerar paletes de inveja alheia ….. ou dito em linguagem feminina, de ter poucas amigas e muitas invejosas ….. complementada com um cara gira, de sorriso simples e gostoso. Não lhe disse desta vez mas tenho-lhe dito noutras ocasiões que a considero muito inteligente, ao ponto de assustar muitos homens, mas não me iria adiantar muito, pois a sua frase estava feita e proferida ….. havias de me ver antes da gravidade!
 
O problema dela, que é o meu e da generalidade da população não é o que ela realmente é ….. é o que ela acha que é ….. o que acha que os outros veem nela. Os nossos receios do que achamos ser os nossos defeitos são o nosso maior problema ….. e achamos que os outros veem em nós o mesmo que vemos quando nos olhamos ao espelho. Os nossos medos, receios e suposições são efetivamente o nosso maior inimigo. Não interessa se se é homem ou mulher, neste aspeto somos todos muito parecidos. Somos vítimas dos nossos próprios preconceitos.
 
Enquanto pensava na conversa que tivemos, li uma frase do Papa Francisco proferida no dia dos namorados numa alusão ao tema ….. “não há namoradas e mulheres perfeitas ….. nem sogras perfeitas”. Com todo o respeito ao Papa, não concordo. Eu tive a sorte e o prazer de partilhar vários anos com uma mulher dessas ….. perfeita e fabulosa ….. mas, o mesmo Deus que o Papa tanto venera, levou-a de mim, sem dó nem piedade ….. existem pessoas perfeitas, sim ….. a perfeição é um utopia e não sendo quantificável é baseada na nossa interpretação da perfeição.  Não interessa se são perfeitas aos olhos de um júri qualquer, interessa é o que são aos nossos olhos. Não os próprios mas sim os nossos.
 
Ao longo da minha vida, tenho visto e vivido o que a auto-interpretação das perfeições e imperfeições provoca na vida à sua volta. E não apenas em questões de beleza. Casais que deixam de viver uma série de bons momentos porque um deles pode pagar e o outro não ultrapassa esse complexo ….. casais com ambientes pesados porque um é profissionalmente mais bem sucedido que o outro, especialmente se o bem sucedido for a mulher pois vai contra o conceito tradicional ….. de amuos por pequenos nadas que um dos membros do casal considera ser um defeito seu e para o outro é uma característica tão relevante como uma gordura ou ruga ….. ou uma peça de roupa fora do lugar.
 
Quando gostamos e estamos com alguém o relevante não é o que a pessoa acha de si. Obviamente que a auto-estima é fundamental para o equilíbrio próprio e o conseguir desfrutar do que se pode, ou como o anuncio dizia “se não gostar de mim, quem gostará?”. Uma namorada/mulher/companheira é mais do que se vê ….. uma relação é mais o que proporcionamos do que o que nos é proporcionado ….. sempre o achei e sempre o vou achar, mesmo não fazendo tenções de ter mais qualquer outra relação. É acima de tudo o que nos faz sentir ….. do mimo e compreensão que existe entre ambos ….. do saber que nos podemos entregar sem receios e que não iremos sofrer no futuro ….. a gravidade é combatida com a beleza da idade, ou dito por outras palavras, a mulher é como o vinho do Porto, refina com a idade.
 
Aguardo o dia que essa amiga me diga que arranjou um novo namorado ….. sinal que ultrapassou os seus medos, receios e inseguranças ….. ela merece.
 
Ia terminar com um desabafo pessoal, mas como acho que já coloquei um cunho pessoal grande demais no texto, termino com a frase de um quadro que comprei para a minha sala de leitura e com a frase com que a Ana terminava os seus post:
 
Life isn’t about waiting for the storm to pass. It’s about learning to dance in the rain!
Olhem sempre para o lado FIXE da vida!
 


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Quebrar as grilhetas

 
É inegável que a inovação é um auxiliar e um acelerador de tudo nos tempos modernos, porém, como tudo na vida, quando é mal utilizado passa a ser prejudicial. Neste momento é quase impensável a alguém não ter telemóvel, preferencialmente com acesso à net e, em termos profissionais, estar igualmente comunicável em qualquer momento, independentemente do local onde se encontra. A nossa moderna trela eletrónica.
 
A proliferação do facebook e os Farmville da net são uma realidade inegável e, invariavelmente, uma fonte de problemas, ao ponto de várias empresas banirem os acessos a vários sites nas suas instalações. Qualquer estudo de ocupação de banda de transmissão de um site destes ou o nº de cliques feitos demonstra uma taxa de utilização elevada, logo, fonte permanente de distração. A modernidade aliada ao auto-voeyrismos é maioritariamente prejudicial.
 
A facilidade e a simplicidade de estabelecer uma comunicação ou transmitir mensagens começa também a ser um sério problema. Para determinados grupos profissionais, é já expectável que estejam sempre comunicáveis e atentos. Já quase não se pensa em "será que se ligar agora estarei a interromper algo?" ..... o pensamento é muito mais na linha do "porque é que esta besta não me atende o telemóvel" ..... e no caso do mail, é mais do "já enviei um mail" .....muitas vezes completamente vazio de contexto ou impossível de uma correta interpretação e o pensamento é "porque não tenho o meu problema resolvido? já enviei um mail!"
 
Este é um problema que tenho sentido nos últimos anos, onde cheguei a ter um chefe que estupidamente me chateava se não lhe atendesse logo o telemóvel ..... era irrelevante se estava a falar ou não, ele ligava e eu tinha de atender ..... e daí obviamente várias discussões ..... o mesmo se passando com o mail ....."porque não respondeste ainda ao mail do X" ..... ou pior, "porque não está tratado o problema do mail que já te enviaram" ..... felizmente este capítulo é passado ..... mudei de emprego ..... mas mesmo assim, continuava a sentir-me dependente do toque da modernidade.
 
Ao chegar de manhã perdia muito tempo a resolver os problemas dos outros enviados por mail, ficando algumas coisas que tinha de tratar para segundo plano. Ao longo do dia, a concentração várias vezes torpedeada por um mail com Urgente algures nalgum ponto da sua estrutura ou conteúdo ..... é impressionante como hoje em dia quase tudo é urgente. E aos poucos e poucos, cada vez mais sentia que estava preso às modernas ferramentas de produtividade, que ao invés de serem isso mesmo, estavam a dominar o meu mundo. A fazer-me sentir improdutivo.
 
Cansado de sentir esta grilheta na minha vida, apesar de reconhecer a sua utilidade, decidi tomar medidas drásticas para recuperar o meu sentimento de produtividade. Naturalmente que não era improdutivo, mas sentia cada vez mais condicionado, o que é quase o mesmo. Uma prisão. Urgia fazer algo ….. não sei viver condicionado ….. ir vivendo não é viver.
 
Depois de um longo período de introspeção sobre toda a minha vida atual, tanto pessoal como profissional, fiz uma pausa zen e tomei várias resoluções..... a ambos os níveis. Decidi começar uma nova etapa da minha vida..... irrelevante se dura 1 semana ou 10 anos ..... uma nova etapa e uma nova abordagem ..... veremos o que sai  e como até agora, sempre passível de alteração após nova reflexão. Quem não muda são os burros e os políticos. Mudar é sempre positivo, desde que em consciência.
 
Comecei com uma mudança simples .....não via o mail antes de resolver os assuntos que me impunha de tratar antes desse momento sagrado de abrir o dito cujo, o que foi um passo grande na forma como vinha a trabalhar. Mas achei que podia ir mais longe, que podia me sentir ainda menos acorrentado a esse deus Mail.
 
Estou a chegar ao final da minha 1 semana de horários controlados para o mail. Tal qual um drogado que faz um percurso de desintoxicação. Não consegui ir ao mail apenas as 2 vezes por dia como pretendia, mas fiquei muito perto desse objectivo. E a verdade é que me senti muito mais produtivo. Após ultrapassada a tentação de ir ver os problemas dos outros a toda a hora, passei a estabelecer horas para o fazer ..... se demorar 10 minutos a ler e tratar os assuntos demoro, se demorar 2 horas, demoro as 2 horas. ..... mas a horas estabelecidas por mim e sem sentimentos de culpa por ser dentro desses horários. Penso ainda demorar mais 2 semanas a calibrar o ritmo para me sentir tranquilo com esta modalidade, mas é esse o esforço que estou a fazer.
 
Não sei se este será para mim um modelo eficiente e eficaz, mas claramente acredito que o é e irei tentar ..... veremos como termina.
 


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Contextualizar

 
Saber ler entre as linhas é uma das melhores capacidades do ser humano, normalmente apenas acessível a alguns. É uma capacidade incrível e que dá um poder enorme a quem a possui. No que toca a relações, claramente as mulheres levam a melhor sobre os homens, infelizmente para nós. No resto todos somos iguais ….. bem, quase iguais ….. enfim, semelhantes.
 
No que toda ao erro, existem dois tipos distintos, os originados por incúria ou dolo e os originados por erro ou infeliz coincidência de factos. Os primeiros deveriam originar algo até à plenitude da capacidade punitiva disponível, porém, os últimos devem ser encarados tal como são. Oportunidades de aprendizagem ….. mas se houver comportamentos reincidentes, já estamos perante incompetência e isso também tem ações próprias a serem tomadas.
 
Os americanos têm uma mentalidade distinta e acreditam que se aprende com os erros. Recentemente li uma história de um CEO da IBM que quando lhe perguntaram se iria despedir um funcionário que causou um prejuízo de $600.00,00 a resposta foi clara ….. despedir? Acabou de investir $600.000,00 na sua formação!
 
Aprender é uma das melhores capacidades que temos e saber contextualizar uma virtude enorme. Perceber o que correu bem e o que correu mal é uma fonte de aprendizagem imensa, porém, é preciso inteligência para se perceber o que correu bem e o que correu mal em contexto, ou seja, mais do que o que foi feito e o resultado obtido, quais os fatores que contribuíram para esse resultado. O mesmo sucesso ou insucesso numa determinada situação não origina necessariamente no mesmo resultado numa outra situação similar.

Na prática o que um vírus faz é isso mesmo, modificando-se para se ajustar a um determinado organismo mas sem perder o seu ADN. Adapta-se sem perder o que é e o norte do seu objetivo. Na vida e nas situações com que nos deparamos ou nos livros que lemos, mais importante do que está visível, é importante perceber o racional que está por detrás e o que pode ajudar ou prejudicar.
 
Infelizmente algumas pessoas não aprendem com os erros que cometeram no passado e voltam a falhar ….. a cometer os mesmos erros ….. mas quando se usam os mesmos princípios e formas de atuar, a probabilidade do resultado ser semelhante é enorme. É a vida.
 
Saber perceber e contextualizar ….. priceless!
 


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Irrelevância sistémica

 
Está a terminar mais uma comissão de inquérito parlamentar. Desta vez sobre os contratos swap e com três posições distintas. Como seria de esperar, PSD/PP acusam o PS e louvam os intervenientes da coligação. O PS acusa o PSD e louva os antigos intervenientes do PS. O resto da oposição acusa PS/PSD/PP.
 
Qual a diferença entre esta e as anteriores comissões?
 
Na essência são idênticas. Depois de muitas sessões, eventualmente até sem custos adicionais que não a ineficiência dos participantes, e muitos minutos de comunicação social o resultado é ….. isso mesmo ….. o redator defende os intervenientes do governo ….. por acaso da sua cor …. e o resto da oposição discorda totalmente do relatório e clama por justiça.
 
O modelo é este ….. para saber o resultado é apenas mudar o título, e o relatório em si seguramente não vale o papel que está impresso. Serão páginas e páginas de nada, com utilidade nenhuma e sem qualquer consequência.
 
Tal como as demais comissões, uma perfeita irrelevância sistémica. Ainda sou novo, ou pelo menos assim me considero, relativamente atento à política do nosso país e não tenho ideia de uma única comissão política que tenha servido para alguma coisa. Nem uma única para que seja possível aplicar o provérbio de não há regra sem exceção.