segunda-feira, 3 de março de 2014

Se calhar não é somente uma cara gira


Um destes dias fui almoçar com uma pessoa amiga e, quando estávamos no restaurante entrou uma daquelas mulheres ….. daquelas de tudo parar à sua volta quando ela passa. Os homens ficam com água na boca, e as mulheres ficam vermelhas de inveja. Daquelas mulheres que fazem desejar que as que se encontram acompanhadas, rezem para que o seu companheiro não as vejam. Não era muito bonita, mas tinha um corpo escultural, muito bem tonificado e uma indumentária de realçar todas aquelas magnificas curvas. Em palavras de homem, uma brasa.

Naturalmente achei que com aquela beleza toda certamente estaria acompanhada, o que aconteceu não ser verdade. Dei por mim a rir por ter assumido esse lugar comum ….. uma mulher gira nunca está sozinha. Não na vida, e certamente não num restaurante. Aguardei para ver quem seria o modelo ou velho rico que se sentaria na mesa ….. outro lugar comum … e mais me ri de mim mesmo por todas essas suposições tradicionais e lugares comuns. Está provado, sou igual ao resto da humanidade! LOL.
 
Apesar de continuar no meu almoço, em conversa muito agradável, não me contive de tempos a tempos observar semelhante beldade ….. discretamente, é certo, mas sempre fui dando uma troca de olhares. E na minha imaginação fui pensando o que poderia levar uma mulher tão bonita a estar sozinha, olhando à sua volta ….. incluindo para mim diversas vezes …… como se pedisse para que alguém fosse falar com ela ….. para não comer sozinha ….. dizendo que a sua beleza não era uma redoma de vidro com alarme ….. pelo menos na minha imaginação, era isso que ela dizia.
 
Pensei na conversa que tinha tido recentemente com um amigo, exatamente sobre a vergonha ou coragem de falar com desconhecidas ….. numa conversa entre homens naturalmente falávamos dessa forma ….. e pensei várias vezes para comigo ….. será que tinha coragem de pura e simplesmente me levantar e ir perguntar “parece sozinha ….. posso lhe fazer companhia a almoçar?” ….. não naquele dia porque estava a almoçar acompanhado, mas noutro qualquer dia em que tivesse sozinho ….. será que era capaz? No meu caso a dúvida não era se seria ou não capaz de o fazer, a dúvida era se correria eu o risco de ouvir um não.
 
Fiquei vários dias a meditar no assunto ….. de passarmos a fase do desconhecido ou não …… novamente o mesmo tema dos meus últimos posts, de ultrapassar os nossos medos e receios, e se calhar, ficarmos surpresos com o que encontramos. Isto vendo pela positiva, que o resto não interessa.
 
Naturalmente não fui ter com a rapariga, até por estar acompanhado, mas os pensamentos sobre falar com alguém desconhecido ….. neste caso de uma beleza de outro campeonato ….. não saíam da minha cabeça. Atenção que com isto não me estou a menosprezar, pois vivi no passado momentos muito bons com mulheres fora de série, desse mesmo campeonato ….. num paraíso até à poucos anos e até muito recentemente, tinha o prazer de partilhar bons momentos com outra mulher dessas, lindíssima e fabulosa, mas a vida é mesmo assim ….. mas não consigo deixar de no meu subconsciente associar a outro campeonato …..
 
A semana passada não resisti a um impulso …… cruzei-me com uma colega que é lindíssima, uma autêntica boneca, sentada numa mesa a escrever no computador e perguntei se me podia sentar ….. tinha 5 minutos enquanto esperava que me fizessem a conta, mas não resisti. E os meus 5 minutos rapidamente passaram a muitos mais, pois além de muito bonita ela é muito simpática. Falámos durante algum tempo sobre dois ou três assuntos, numa conversa muito agradável, mas uma reunião já agendada não me permitia demorar mais tempo. Cordialmente me despedi e cada um seguiu a sua vida.
 
Saí com um sorriso nos lábios, não por imaginar algo mais no futuro, como certamente está a passar na cabeça do leitor, mas pela situação em si, recordando-me da brasa do outro restaurante e da situação em si. Uma cara gira não precisa de ser apenas uma cara gira.
 
Estarão as duas histórias interligadas? Quem sabe …..